Fala, galera! Aqui é o Claudio, fisioterapeuta veterinário, e no artigo de hoje vamos falar sobre um problema muito mais comum do que a maioria dos tutores imagina: a perda de massa muscular nos nossos amigos de quatro patas. Muitas vezes a tutora percebe que o pet está “mais fino”, acha que ele apenas emagreceu ou que isso faz parte do envelhecimento. No entanto, em muitos casos, o que realmente está acontecendo é uma perda importante de musculatura. Esse problema pode aparecer lentamente, quase sem ser percebido, ou surgir de forma bastante rápida após uma cirurgia, um acidente ou uma doença neurológica. Na rotina da fisioterapia veterinária, esse é um dos achados mais frequentes. Quase todos os dias recebo cães que apresentam algum grau de atrofia muscular. O interessante é que, na maioria das vezes, essa alteração nem sempre é visível logo no início. Antes mesmo de ser percebida pelos olhos, ela costuma ser identificada durante a palpação, quando notamos que determinada região perdeu volume ou firmeza. Quanto mais cedo essa perda muscular for identificada, maiores são as chances de recuperar a força, a estabilidade e a qualidade de vida do cachorro.

O que é a atrofia muscular?
A atrofia muscular é a diminuição do tamanho das fibras musculares. Em outras palavras, o músculo começa a perder volume porque deixou de receber estímulos suficientes para se manter saudável. O organismo funciona de maneira bastante inteligente. Quando determinada musculatura deixa de ser utilizada, o corpo entende que aquele tecido já não é tão necessário e começa a economizar energia. Como consequência, as fibras musculares diminuem de tamanho e a musculatura vai ficando cada vez menor. Esse processo pode acontecer em poucos dias. Já a recuperação costuma ser muito mais lenta, exigindo semanas ou até meses de trabalho. Além da perda de força, a redução da musculatura faz com que as articulações fiquem menos protegidas. Afinal, os músculos funcionam como verdadeiros estabilizadores do corpo. Quando eles enfraquecem, ligamentos, tendões e cartilagens passam a receber uma carga muito maior, aumentando o risco de lesões e acelerando o desenvolvimento de doenças como a artrose.
Como saber se o seu cachorro está perdendo massa muscular?
Muitos tutores tentam comparar um lado do corpo com o outro apenas olhando o cachorro. Embora isso possa ajudar em casos mais avançados, nem sempre é suficiente. Na fisioterapia veterinária utilizamos métodos muito mais objetivos para acompanhar essa evolução. Um deles é a medição da circunferência do membro, realizada sempre na mesma região. Dessa forma conseguimos comparar os resultados ao longo das semanas e verificar se realmente está ocorrendo ganho ou perda muscular. Além disso, avaliamos o padrão da marcha, a distribuição de peso entre os membros, a postura, a força durante determinados movimentos e, principalmente, a palpação da musculatura da área afetada. Essas avaliações permitem acompanhar o tratamento com muito mais precisão do que apenas confiar na impressão visual.
Por que um cachorro perde massa muscular?
Embora existam diversas doenças capazes de causar esse problema, na prática podemos dividir a perda muscular em dois grandes grupos: a atrofia por desuso e a atrofia de origem neurológica. A atrofia por desuso é, sem dúvida, a mais frequente. Ela acontece quando o cachorro simplesmente deixa de utilizar determinada musculatura. Isso pode ocorrer após uma cirurgia ortopédica, durante um longo período de repouso ou até mesmo por causa da dor. Imagine um cachorro que rompeu o ligamento cruzado. Naturalmente ele passa a apoiar menos aquela pata porque sente desconforto. Quanto menos ele utiliza esse membro, menos estímulo o músculo recebe. Em pouco tempo, aquela perna já estará visivelmente mais fina do que a outra. Esse mesmo processo acontece em cães com artrose, luxação de patela, displasia coxofemoral e diversas outras doenças ortopédicas. O problema inicial gera dor. A dor faz o cachorro evitar apoiar a pata. A falta de apoio leva à perda muscular. E a perda muscular aumenta ainda mais a sobrecarga sobre a articulação, criando um ciclo difícil de interromper. Já a atrofia de origem neurológica funciona de maneira diferente. Nesse caso, o problema não está apenas na utilização do músculo, mas sim na comunicação entre o nervo e as fibras musculares. Os nervos são responsáveis por enviar os comandos que fazem o músculo contrair. Quando essa comunicação é interrompida por uma hérnia de disco, uma síndrome da cauda equina, uma mielopatia ou outra doença neurológica, o músculo deixa de receber estímulos adequados e começa a atrofiar rapidamente. Por esse motivo, cães com doenças neurológicas costumam apresentar uma perda muscular bastante acentuada, principalmente nos membros que perderam parte da função nervosa.

Quais doenças podem causar perda muscular?
A perda de massa muscular nunca deve ser encarada como uma doença em si. Na verdade, ela é consequência de algum problema que precisa ser identificado. Entre as causas mais comuns estão:
- artrose;
- ruptura do ligamento cruzado;
- luxação de patela;
- displasia coxofemoral;
- displasia de cotovelo;
- hérnia de disco;
- síndrome da cauda equina;
- mielopatias;
- doenças musculares;
- sarcopenia relacionada ao envelhecimento;
- repouso prolongado após cirurgias;
- doenças hormonais e metabólicas.
- falta de movimento no dia a dia e de exercícios regulares
- postura compensatória (quando o animal muda a postura para evitar dor)
Por isso, simplesmente começar a fazer exercícios sem descobrir a origem do problema pode atrasar o tratamento e, em alguns casos, até piorar a situação.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende totalmente da causa da atrofia. Quando a perda muscular acontece por falta de uso, o objetivo principal é fazer com que o cachorro volte a utilizar aquele membro de forma segura e progressiva. Isso normalmente inclui exercícios terapêuticos, fortalecimento muscular, treino de equilíbrio, exercícios de propriocepção e caminhadas controladas. Dependendo do paciente, recursos como hidroterapia e laserterapia também podem fazer parte do programa de reabilitação. Já nos casos de origem neurológica, o foco inicial precisa ser a recuperação da função nervosa. Afinal, não adianta tentar fortalecer um músculo que não está recebendo estímulos adequados do sistema nervoso. Nessas situações, utilizamos recursos que estimulam novamente essa comunicação entre nervo e músculo, como mobilizações passivas, exercícios específicos de propriocepção, estimulação sensorial, lowlevellaserterapia e, em alguns casos, eletroterapia. Conforme o paciente evolui, os exercícios de fortalecimento passam a ganhar cada vez mais importância. Cada cachorro responde de maneira diferente ao tratamento. Por isso, um plano individualizado é fundamental para alcançar bons resultados.
O tutor pode ajudar em casa?
Com certeza. Aliás, boa parte da recuperação acontece justamente fora da clínica. Os exercícios realizados durante as sessões servem como base, mas é a repetição controlada em casa que realmente promove a reconstrução da musculatura. Entretanto, existe um erro muito comum entre os tutores: procurar exercícios aleatórios na internet e aplicá-los sem saber se são indicados para aquele paciente. Um exercício excelente para um cachorro pode ser completamente contraindicado para outro. Isso acontece porque cada doença exige um tipo diferente de fortalecimento, uma intensidade diferente e uma evolução específica. Por isso, o ideal é sempre seguir um programa estruturado, elaborado por um fisioterapeuta veterinário, respeitando a fase da recuperação e as limitações individuais do animal.
Como prevenir a perda de massa muscular?
Embora nem sempre seja possível evitar completamente a atrofia, algumas medidas ajudam bastante a reduzir esse risco:
- manter o cachorro fisicamente ativo durante toda a vida;
- controlar o peso corporal;
- tratar dores o mais cedo possível;
- evitar períodos prolongados de repouso sem necessidade;
- oferecer alimentação adequada;
- realizar exercícios de fortalecimento regularmente;
- fazer avaliações periódicas em cães idosos ou com doenças ortopédicas.
Esses cuidados ajudam a preservar a musculatura por muito mais tempo e diminuem significativamente o risco de problemas articulares no futuro.

Resumo final
A perda de massa muscular é um dos sinais mais importantes de que algo pode não estar funcionando corretamente no organismo do cachorro. Ela pode surgir após cirurgias, por causa da dor, devido a doenças ortopédicas, alterações neurológicas ou simplesmente como consequência do envelhecimento. Independentemente da causa, quanto mais cedo o problema for identificado, maiores serão as chances de recuperar a força, melhorar a mobilidade e devolver qualidade de vida ao animal. Na fisioterapia veterinária, não tratamos apenas o músculo. Buscamos entender por que ele foi perdido e criar um programa de reabilitação capaz de devolver ao cachorro confiança para caminhar, estabilidade nas articulações e força para voltar às atividades do dia a dia. Se você percebeu que seu cachorro está ficando com uma das patas mais fina ou parece estar perdendo musculatura, não espere a situação piorar. Quanto antes o tratamento começar, melhores costumam ser os resultados.
