O cachorro está mancando? Veja o que pode ser e quando procurar ajuda

Fala, galera! Aqui é o Claudio, fisioterapeuta veterinário, e no artigo de hoje vamos falar sobre um problema que preocupa qualquer tutora: o cachorro começou a mancar.

Às vezes isso acontece de repente. O cachorro estava brincando normalmente, correu atrás de uma bola e voltou apoiando apenas três patas. Em outras situações, a alteração aparece aos poucos: ele começa a caminhar mais devagar, evita subir escadas ou fica rígido depois de descansar.

A primeira reação do tutor costuma ser procurar onde está doendo. Mas nem sempre a origem do problema está na pata que parece incomodar. A claudicação, nome técnico usado para o ato de mancar, pode surgir por alterações nos dedos, unhas, músculos, tendões, ligamentos, articulações, ossos, coluna ou até no sistema nervoso. Por isso, mancar é um sintoma, e não uma doença específica.

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Por que o cachorro começa a mancar?

O cachorro manca quando não consegue utilizar um ou mais membros normalmente. Na maioria das vezes, isso acontece porque apoiar a pata, movimentar uma articulação ou contrair determinada musculatura provoca dor. Em outros casos, pode existir fraqueza, instabilidade ou uma falha na comunicação entre os nervos e os músculos.

A intensidade da claudicação pode variar bastante. Alguns cães apenas encurtam discretamente o passo. Outros apoiam a pata somente quando estão parados, mas evitam colocá-la no chão durante a caminhada. Nos casos mais graves, o pet não consegue sustentar o próprio peso ou sequer ficar em pé.

É importante lembrar que os cães nem sempre mostram quando sentem dor. Muitos continuam comendo, abanando o rabo e tentando acompanhar a família, mesmo com uma lesão séria. A persistência da claudicação já deve ser interpretada como um sinal de desconforto, ainda que o cachorro não mostre ele.

A forma como a claudicação começou traz informações importantes

Quando o cachorro começa a mancar subitamente, as causas mais prováveis incluem lesões nas patas, unhas quebradas, corpos estranhos entre os dedos, distensões musculares, entorses, lesões nos ligamentos, luxações e fraturas. Um salto mal calculado, uma corrida em piso escorregadio ou uma brincadeira intensa já podem ser suficientes para provocar uma lesão.

Quando a alteração aparece lentamente ou vai e volta durante semanas, é mais provável que exista uma doença crônica ou degenerativa. Artrose, displasia, lesões parciais de ligamentos, problemas na coluna, doenças neurológicas e tumores ósseos podem provocar uma claudicação progressiva ou intermitente.

Também é importante observar em qual momento o problema fica mais evidente. Um cão que manca principalmente ao levantar pode estar apresentando rigidez articular. Quando a claudicação piora depois de uma caminhada longa, pode haver sobrecarga em uma articulação, tendão ou músculo. Já uma claudicação muito intensa que surge imediatamente após uma queda ou atropelamento deve ser tratada como uma possível emergência.

O problema pode estar nas patas

Antes de pensar em uma doença ortopédica mais complexa, vale lembrar que muitas claudicações começam nas extremidades do membro.

Espinhos, lascas de madeira, pequenos pedaços de vidro e sementes pontiagudas podem ficar presos entre os dedos. Cortes nas almofadinhas, queimaduras causadas por asfalto quente, inflamações entre os dedos e unhas quebradas também provocam bastante dor. Em alguns casos, o pet lambe a pata constantemente ou não permite que a tutora toque na região.

Uma unha quebrada pode parecer um problema pequeno, mas a parte interna da unha contém vasos sanguíneos e terminações nervosas. Quando essa região fica exposta, o cachorro pode apresentar dor intensa, sangramento e risco de infecção.

Se o pet permitir, o tutor pode observar cuidadosamente as almofadinhas, os espaços entre os dedos e as unhas. Entretanto, não se deve apertar, dobrar ou movimentar com força uma pata dolorida. Até mesmo um cachorro extremamente dócil pode morder quando sente dor, e a manipulação inadequada de uma fratura ou luxação pode agravar a lesão já existente.

Lesões musculares, tendíneas e ligamentares

Nem toda lesão produz inchaço ou uma alteração visível. Distensões musculares, inflamações de tendões e entorses podem causar claudicação mesmo quando a pata parece completamente normal por fora.

Essas lesões aparecem com frequência depois de corridas, saltos, mudanças bruscas de direção ou brincadeiras em pisos escorregadios, por exemplo. Cães esportivos podem apresentar o problema somente após atividades mais intensas, o que torna a identificação mais difícil durante uma consulta comum.

Nos membros traseiros, uma das causas mais comuns de claudicação é a doença do ligamento cruzado cranial, estrutura responsável por estabilizar o joelho. Ao contrário do que muitos tutores imaginam, esse ligamento nem sempre rompe em um único acidente. Em muitos cães ele sofre uma degeneração gradual e pode começar com uma lesão parcial antes de romper completamente.

O pet pode apresentar dificuldade para levantar, sentar de maneira torta, recusar saltos, mancar depois de descansar ou perder musculatura na perna afetada. Em alguns casos, o tutor escuta um estalo no joelho, o que também pode indicar uma lesão no menisco.

Luxação de patela

A luxação de patela acontece quando a rótula, pequeno osso localizado na frente do joelho, sai do seu sulco normal. É bastante comum em cães pequenos, embora também possa afetar animais maiores.

Um sinal bastante característico é o cachorro caminhar normalmente e, de repente, levantar uma das patas traseiras por alguns passos. Logo depois ele estica a perna, a patela retorna ao lugar e o animal volta a andar como se nada tivesse acontecido.

Nos casos mais avançados, a patela permanece fora do lugar durante períodos maiores, causando dor, alterações no alinhamento do membro e desgaste progressivo da cartilagem. Com o passar do tempo, isso pode favorecer artrose e aumentar a sobrecarga sobre outras estruturas do joelho, incluindo o ligamento cruzado.

Displasia e artrose

A displasia coxofemoral é uma causa importante de claudicação nos membros traseiros, especialmente em cães de médio e grande porte. Nessa condição, a cabeça do fêmur e a cavidade do quadril não se encaixam adequadamente. Essa instabilidade provoca desgaste da cartilagem e pode levar à formação de artrose.

O cachorro pode demonstrar dificuldade para levantar, subir escadas, entrar no carro ou saltar do sofá. Alguns animais transferem mais peso para as patas dianteiras e desenvolvem perda muscular nos membros traseiros.

A artrose também pode atingir joelhos, cotovelos, ombros, carpos e outras articulações. Ela é especialmente frequente em cães idosos, mas também pode aparecer precocemente após fraturas, luxações, lesões ligamentares ou doenças de desenvolvimento. Como é uma doença progressiva, o cachorro pode começar apenas um pouco rígido e, com o tempo, apresentar claudicação mais frequente e perda de mobilidade.

Quando o cachorro manca da pata dianteira

Nos membros dianteiros, a causa pode estar nos dedos, nas unhas, no carpo, no cotovelo, no ombro ou até na região do pescoço.

Em cães jovens de raças grandes, a displasia de cotovelo é uma possibilidade importante. Os primeiros sinais podem aparecer a partir dos cinco meses de idade, embora alguns animais sejam diagnosticados somente quando adultos. A claudicação costuma piorar depois do exercício e nem sempre desaparece completamente com o repouso. Quando os dois cotovelos são afetados, o cachorro pode apenas caminhar com passos curtos e demonstrar pouca vontade de completar os passeios, sem mancar claramente de um lado.

Alterações no ombro, inflamações de tendões e lesões musculares também podem provocar claudicação dianteira. Já doenças na coluna cervical podem causar dor que se irradia para uma das patas, mesmo que o membro em si não apresente nenhuma alteração.

Problemas neurológicos também podem parecer uma claudicação

Nem toda alteração na caminhada é provocada diretamente por uma articulação ou músculo. Problemas na coluna e nos nervos podem causar fraqueza, dor, dificuldade para coordenar os movimentos e desgaste irregular das unhas.

Um cachorro com um problema neurológico pode arrastar a pata, cruzar os membros, apoiar a parte superior dos dedos no chão ou demorar para corrigir a posição da pata depois que ela é virada. Esses sinais são diferentes de uma claudicação ortopédica comum e exigem também uma avaliação neurológica.

Nos membros traseiros, hérnias de disco, compressões nervosas e doenças lombossacras podem provocar dor, perda de força e dificuldade para levantar. Nos membros dianteiros, alterações cervicais podem causar dor no pescoço e claudicação aparente em uma das patas.

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A idade do cachorro ajuda a direcionar a investigação

Em filhotes e cães jovens, o veterinário pensa com maior frequência em doenças relacionadas ao crescimento e ao desenvolvimento. Displasia coxofemoral, displasia de cotovelo, osteocondrose, luxação de patela e algumas doenças ósseas do crescimento estão entre as possibilidades.

Nos cães adultos, lesões musculares, tendíneas e ligamentares tornam-se mais frequentes, principalmente em animais muito ativos ou acima do peso.

Já nos cães idosos, artrose, ruptura do ligamento cruzado, doenças da coluna e tumores ósseos passam a fazer parte da investigação. Isso não significa que todo cachorro idoso que manca tenha uma doença grave, mas uma claudicação persistente nessa fase não deve ser atribuída automaticamente à idade.

O osteossarcoma, por exemplo, é um tumor ósseo agressivo que pode começar com uma claudicação discreta e progressiva. O inchaço na região afetada pode surgir posteriormente. Em alguns casos, o osso enfraquecido sofre uma fratura, causando uma piora súbita e intensa.

Quando o cachorro manca de patas diferentes

Quando a claudicação muda de uma pata para outra, especialmente acompanhada por febre, desânimo, falta de apetite ou articulações inchadas, pode existir uma doença sistêmica.

A doença de Lyme, transmitida por carrapatos, pode provocar uma claudicação intermitente que parece mudar entre os membros, além de febre, letargia e dor articular. A poliartrite imunomediada também pode causar dor em várias articulações e claudicação migratória.

Nesses casos, examinar apenas a pata que está mancando naquele momento não será suficiente. O veterinário poderá precisar de exames de sangue, testes para doenças infecciosas e análise do líquido articular.

Como descobrir qual pata está doendo?

Em alguns casos é fácil perceber qual membro o cachorro está evitando. Em outros, principalmente quando a claudicação é discreta ou afeta mais de uma pata, essa identificação pode ser bastante difícil.

Quando existe dor em um membro dianteiro, o cachorro costuma levantar a cabeça no momento em que coloca peso sobre a pata dolorida e abaixá-la ao apoiar o lado saudável. Nos membros traseiros, podem ocorrer movimentos assimétricos da pelve, encurtamento do passo e deslocamento do peso para a frente.

Gravar o cachorro caminhando em linha reta, indo e voltando, pode ajudar bastante. Muitos cães deixam de mancar dentro da clínica por causa da excitação ou da adrenalina, e os vídeos gravados em casa fornecem informações valiosas ao veterinário.

Quando é necessário procurar atendimento imediatamente?

Uma claudicação leve que desaparece rapidamente após alguns minutos de descanso pode não representar uma emergência. Mesmo assim, a tutora deve acompanhar o cachorro e observar se o problema retorna.

A situação exige atendimento mais rápido quando o cão não apoia a pata, demonstra dor intensa, apresenta uma deformidade visível, tem sangramento importante, não consegue ficar em pé ou sofreu um trauma como atropelamento, queda de grande altura ou ataque de outro animal. Dor intensa no pescoço ou nas costas, perda de coordenação e paralisia também exigem avaliação imediata.

Se a claudicação for leve, mas permanecer por mais de 24 horas, piorar ou voltar repetidamente, o pet também deve ser examinado. Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as chances de controlar a dor e evitar compensações, perda muscular e sobrecarga nas outras articulações.

O que o tutor pode fazer enquanto aguarda a avaliação?

Enquanto o cachorro não é examinado, o objetivo não é testar a pata nem tentar descobrir o diagnóstico em casa. O mais importante é evitar que uma possível lesão piore.

  • Restrinja corridas, saltos, escadas e brincadeiras intensas.
  • Faça apenas saídas curtas na guia para o seu amigo de quatro patas realizar as necessidades dele.
  • Observe as almofadinhas, os espaços entre os dedos e as unhas, desde que ele permita sem demonstrar dor.
  • Grave vídeos do cachorro caminhando de frente, de costas e de lado.
  • Anote quando a claudicação começou, se piora após o exercício ou ao levantar e se houve alguma queda ou atividade diferente.
  • Procure manter o pet longe de pisos escorregadios.
  • Não faça massagens profundas, alongamentos ou exercícios antes de saber a origem do problema.
  • Não ofereça ibuprofeno, naproxeno, aspirina, paracetamol ou medicamentos que sobraram do tratamento de outro animal ou de humanos.

Medicamentos humanos podem provocar úlceras, sangramentos, lesões renais e hepáticas nos cães. Até mesmo um anti-inflamatório veterinário utilizado anteriormente pode ser inadequado para a situação atual, para a dose necessária ou para o estado dos rins e do fígado do animal.

Como o veterinário descobre a causa?

A investigação começa com a história do paciente. O veterinário pergunta quando o problema começou, se houve trauma, se a claudicação aparece em repouso ou após o exercício e se o cachorro apresenta dificuldade para levantar, sentar, subir escadas ou saltar. A idade, o peso, a raça e as doenças anteriores também ajudam a definir as causas mais prováveis.

Em seguida, o cachorro é observado parado, levantando e caminhando. Depois são examinados os dedos, ossos, músculos e articulações de todos os membros, além da coluna. O objetivo é identificar dor, inchaço, instabilidade, redução dos movimentos e perda de massa muscular. Uma avaliação neurológica pode ser necessária quando existem sinais de fraqueza ou falta de coordenação.

Dependendo dos achados, podem ser recomendadas radiografias, ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, exames de sangue ou coleta de líquido articular. A radiografia é muito útil para avaliar ossos e sinais de artrose, enquanto a ultrassonografia pode ajudar na investigação de músculos e tendões. A tomografia e a ressonância são utilizadas em casos mais complexos ou quando existe suspeita de lesão na coluna e nos tecidos moles.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende completamente da causa. Uma unha quebrada não é tratada da mesma forma que uma ruptura de ligamento, uma artrose ou uma hérnia de disco.

Alguns cães precisam apenas de repouso controlado, tratamento da dor e retorno gradual às atividades. Outros necessitam de cirurgia, imobilização, antibióticos ou tratamento de uma doença sistêmica. Controle do peso também é uma parte importante do tratamento, pois o excesso de carga aumenta o esforço sobre articulações doloridas e instáveis.

A fisioterapia veterinária pode ser utilizada para controlar a dor, recuperar a amplitude de movimento, reduzir compensações e reconstruir a musculatura. Exercícios terapêuticos, treino de equilíbrio, caminhadas controladas e diferentes recursos físicos podem ser incluídos conforme o diagnóstico e a fase da recuperação.

Entretanto, a fisioterapia não substitui o diagnóstico. Fazer exercícios aleatórios com um cachorro que está mancando pode agravar uma fratura, aumentar a instabilidade de um joelho ou sobrecarregar um tendão lesionado. Primeiro é necessário entender de onde vem a dor. Depois disso, o programa de reabilitação pode ser planejado de forma segura.

Erros comuns quando o cachorro começa a mancar

Um dos erros mais frequentes é esperar várias semanas porque o cachorro ainda está brincando e comendo. Como muitos cães escondem a dor, o problema pode continuar evoluindo mesmo quando o comportamento geral parece normal.

Outro erro é acreditar que toda claudicação depois de uma brincadeira seja apenas uma distensão muscular. Uma ruptura parcial do ligamento cruzado, por exemplo, pode inicialmente melhorar com repouso e voltar algum tempo depois.

Também não é recomendado testar repetidamente a pata, fazer o cachorro correr para “ver se ainda está mancando” ou começar exercícios de fortalecimento sem avaliação. Toda vez que o animal utiliza uma estrutura lesionada de maneira inadequada, ele pode aumentar a irritação local e criar compensações em outras regiões do corpo.

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Resumo

O cachorro pode mancar por diversos motivos, desde uma pequena lesão na unha até doenças articulares, rupturas ligamentares, alterações neurológicas e tumores ósseos.

A forma como o problema começou, a idade do cachorro, a pata afetada e os momentos em que a claudicação aparece ajudam a direcionar a investigação. Mesmo assim, apenas uma avaliação adequada consegue identificar com segurança a origem da dor.

Quando a claudicação é intensa, surge após um trauma, impede o apoio da pata ou vem acompanhada de fraqueza e alterações neurológicas, o atendimento deve ser imediato. Nos casos mais leves, restrinja as atividades e procure o veterinário se o problema não desaparecer dentro de 24 horas, piorar ou voltar a acontecer.

Quanto antes a causa for tratada, menores são as chances de ocorrer perda muscular, sobrecarga das outras patas e redução da qualidade de vida.

Se esse conteúdo te ajudou, mande este artigo para outros tutores que também precisam saber o que fazer quando o cachorro começa a mancar. Até a próxima!

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