A artrose é uma das doenças articulares mais comuns nos cães. Estatisticamente, cerca de um em cada cinco cachorros sofre de artrose, o que corresponde a aproximadamente 20%. Existem fontes que citam que aproximadamente 80% dos cães acima de 8 anos sofrem de artrose. E, como os nossos cães estão vivendo cada vez mais, é possível que esse número aumente ainda mais nos próximos anos.
Quem convive com um cachorro com artrose sabe que a doença pode se mostrar de muitas formas. Alguns começam a levantar mais devagar. Outros passam a evitar escadas, ficam mais rígidos depois de dormir ou simplesmente deixam de fazer coisas que antes faziam sem pensar duas vezes.
Mas uma coisa é muito importante: ter artrose não significa que o cachorro deve parar de se movimentar.
Na maioria dos casos, o manejo da artrose acompanha o cachorro por bastante tempo e precisa ser adaptado ao seu estado atual, à idade, às articulações afetadas e à forma como ele responde às atividades do dia a dia.

Quais tipos de artrose existem?
De forma geral, existem dois tipos de artrose: a primária e a secundária.
Artrose primária
A artrose primária é a forma mais rara. Nesse caso, não é possível identificar com clareza a causa da doença. Ela pode estar relacionada a uma predisposição genética. Algumas raças apresentam uma tendência maior a problemas articulares, principalmente cães de grande porte.
Artrose secundária
A artrose secundária é muito mais frequente. Ela aparece como consequência de uma doença, alteração ou problema anterior na articulação.
Pode surgir, por exemplo, depois de:
- sobrecarga
- carga inadequada sobre a articulação
- traumas
- inflamações articulares
- malformações congênitas
- doenças neurológicas
- cirurgia na articulação
O que pode causar ou favorecer a artrose?
Não existe apenas uma causa para a artrose. Diferentes fatores podem participar do seu desenvolvimento, e muitas vezes mais de um deles está presente no mesmo pet.
Entre os possíveis fatores estão:
- alterações anatômicas
- alimentação inadequada durante a fase de filhote
- carga inadequada ou sobrecarga
- excesso de peso
- treinamento exagerado
- treinamento inadequado
- treinamento inadequado em cães muito jovens ou idosos
- rupturas de ligamentos
- fraturas
- infecções articulares
- doenças neurológicas
- desgaste relacionado à idade
- determinados medicamentos
- substâncias tóxicas
- cirurgias na articulação
- doenças ósseas durante a fase de crescimento
- predisposição genética
Lesões também podem ter um papel importante.
Imagine, por exemplo, um cachorro que rompeu o ligamento cruzado, sofreu uma luxação ou uma fratura envolvendo a articulação. A partir do momento em que a estabilidade ou a forma normal de distribuir o peso sobre aquela articulação muda, o desgaste também pode aumentar. Com o passar do tempo, isso pode favorecer o desenvolvimento da artrose.
Ao contrário do que acontece nos seres humanos, nos quais as mulheres são mais frequentemente afetadas pela artrose do que os homens, nos cães ainda não está claro se o sexo realmente influencia o risco. Existem estudos apontando um risco levemente maior em fêmeas, outros em machos e também pesquisas que não encontraram diferenças relevantes.
Artrose e artrite não são a mesma coisa
Esses dois nomes são parecidos e, por isso, é muito comum que sejam confundidos. Mas artrose e artrite não são a mesma coisa. Artrite é uma inflamação da articulação e tem cura. Uma inflamação articular pode, entretanto, contribuir para o desenvolvimento de uma artrose ao longo do tempo. Ou seja: alterações que futuramente vão participar de um quadro de artrose podem começar ainda durante uma inflamação aguda da articulação.
O que acontece dentro da articulação?
Para que uma articulação consiga realizar movimentos normalmente, como flexionar, estender e apoiar, diferentes estruturas precisam trabalhar juntas.
Entre elas estão:
- cápsula articular
- cartilagem
- líquido articular
- músculos
- ossos
- ligamentos
- tendões
- nervos
Durante a artrose, a cartilagem que protege a articulação começa a sofrer alterações e diminuir. Ao mesmo tempo, a cápsula articular e o líquido presente dentro da articulação também podem se modificar para pior.
Um dos grandes problemas é que a cartilagem possui uma capacidade muito limitada de se reparar sozinha. Por isso, quanto antes a articulação for protegida e o manejo adequado iniciado, melhor será a tentativa de desacelerar a progressão da doença.
Existem casos extremamente raros nos quais foram observadas melhorias nas estruturas da cartilagem durante diferentes tratamentos.
Nessas situações, foram combinados suplementos articulares, como mexilhão de lábios verdes, colágeno ou MSM, com fisioterapia e adaptações no estilo de vida do pet.
De onde vem a dor da artrose?
Uma coisa interessante é que a cartilagem articular não possui nervos responsáveis pela percepção de dor. Ou seja, a dor que o cachorro sente não vem diretamente da cartilagem.
Ela pode surgir, entre outros motivos, por alterações e inchaço da cápsula articular e por processos inflamatórios que acontecem dentro da articulação.
Na artrose existem cinco pontos importantes que estão ligados entre si:
- inflamação articular
- desgaste da cartilagem
- remodelação óssea
- dor
- perda de função
Por isso, não faz sentido olhar somente para um desses fatores isoladamente.
O ciclo da artrose
A inflamação tem um papel muito importante na artrose. Processos inflamatórios dentro da articulação podem favorecer a degradação da cartilagem. Ao mesmo tempo, quando essa cartilagem vai sendo degradada, podem ser liberadas substâncias capazes de provocar novas reações inflamatórias.
E assim surge um ciclo:
Inflamação → degradação da cartilagem → mais inflamação → mais degradação da cartilagem.
Por isso, controlar os processos inflamatórios da melhor forma possível faz parte do manejo da artrose. A artrose é uma doença muito complexa, na qual fatores mecânicos e biológicos trabalham juntos.
Uma identificação precoce e um tratamento adequado podem ajudar a desacelerar a progressão da doença, diminuir os sintomas e preservar a qualidade de vida do cachorro pelo maior tempo possível.
Quais são os sintomas da artrose?
Aqui existe um ponto muito importante: nem todo cachorro com artrose vai apresentar os mesmos sinais. Principalmente no início, as mudanças podem ser tão pequenas que passam despercebidas.
Muitas vezes, o tutor percebe primeiro que o cachorro simplesmente “não está mais fazendo as coisas como antes”.
Mudanças na forma de caminhar
Alguns possíveis sinais são:
- mancar de uma ou mais patas
- mancar somente em alguns momentos
- claudicação que vai ficando mais frequente
- andar rígido
- dar passos mais curtos
- apresentar uma caminhada assimétrica
- caminhar mais devagar
- ficar rígido depois de descansar
- apresentar maior rigidez ao levantar depois de dormir
- piorar depois de brincadeiras, corridas ou caminhadas longas
- parar várias vezes durante o passeio
- sentar com mais frequência
- demonstrar menos vontade de se movimentar
- cansar mais rápido
- apresentar menor resistência
- evitar apoiar uma pata
- transferir o peso mais para a frente, para trás ou para um dos lados
Outro sinal que os tutores podem perceber é uma mudança durante o passeio. Um cachorro que antes caminhava sempre na frente pode começar a andar ao lado ou até atrás da pessoa.
Mudanças na rigidez, atividade, capacidade de esforço, claudicação e comportamento depois do repouso ou do exercício são pontos importantes na avaliação de cães com artrose. E uma coisa importante, pessoal: os sintomas que citei acima não aparecem apenas na artrose. Muitas outras doenças também podem causar sinais parecidos. Por isso, se você perceber algum ou mais deles no seu amigo de quatro patas, procure uma clínica veterinária para descobrir o que realmente está acontecendo.
Dificuldades no dia a dia
Nem sempre o primeiro sinal aparece durante uma caminhada.
Muitas vezes ele aparece dentro de casa.
O cachorro pode começar a:
- ter dificuldade para levantar
- levar mais tempo para sentar ou deitar
- usar muito os membros dianteiros para conseguir levantar
- simplesmente se jogar no chão ao deitar
- sentar de forma diferente
- ter dificuldade para virar o corpo
- ter dificuldade para mudar de posição
- apresentar problemas para subir escadas
- apresentar problemas para descer escadas
- evitar completamente as escadas
- ter dificuldade para saltar
- ter dificuldade para entrar no carro
- ter dificuldade para sair do carro
- evitar pular na cama ou no sofá
- pular menos durante brincadeiras ou cumprimentos
- ficar inseguro em pisos lisos
- escorregar
- evitar determinadas superfícies
- ficar inseguro durante movimentos que antes realizava normalmente
- apresentar uma postura corporal ou uma coluna levemente arqueada
Essas pequenas mudanças podem dizer bastante sobre como o cachorro está se sentindo.
Como um cachorro com artrose pode demonstrar dor?
E aqui eu vou bater mais uma vez na mesma tecla: cachorro com dor nem sempre chora. Alguns cães demonstram que estão sentindo dor de forma muito discreta.Podem aparecer sinais como:
- dor durante o movimento de uma articulação
- reação de defesa ao tocar determinada região
- lamber uma articulação
- roer uma região dolorida
- ofegar durante o repouso sem motivo habitual
- inquietação
- dificuldade para encontrar uma posição confortável
- levantar e deitar repetidamente
- tremores
- grande sensibilidade ao toque
- dor durante o repouso em casos mais avançados
Alguns cães também vocalizam.
Podem:
- gemer
- grunhir
- choramingar
- ganir
- uivar
- gritar durante determinados movimentos ou ao serem tocados
Mudanças no sono também podem acontecer
A artrose também pode modificar a forma como o cachorro descansa.
Ele pode:
- dormir mais
- descansar com maior frequência durante o dia
- dormir pior
- ficar inquieto durante a noite
- acordar e levantzar várias vezes durante a noite
- mudar constantemente de posição
- procurar diferentes lugares para se deitar
- levar mais tempo para conseguir deitar
- caminhar durante a noite
- mudar suas posições habituais para dormir
- preferir locais mais fáceis de acessar
Outras possíveis alterações incluem:
- mudanças na aparência da pelagem
- irritabilidade
- alterações de comportamento
- dificuldade para urinar ou defecar
- perda de massa muscular
aumento de peso devido à redução da atividade

Como a artrose é tratada?
A artrose normalmente exige um manejo de longo prazo. Não é uma situação na qual realizamos alguns exercícios durante duas ou três semanas e depois simplesmente esquecemos. Muitas medidas podem acompanhar o cachorro por muito tempo ou, em muitos casos, pelo resto da vida. Você pode comparar o tratamento da artrose com o uso de um remédio para controlar a pressão, por exemplo. Enquanto o paciente segue o tratamento, a doença é mantida sob controle. Se ele interrompe o tratamento, o quadro pode voltar a piorar. Com a artrose acontece algo parecido: o tratamento ajuda a controlar os sintomas e manter a qualidade de vida, mas precisa ter continuidade.
E isso vale também para o movimento. Se todo o treinamento e a atividade forem interrompidos, a musculatura e a mobilidade podem diminuir novamente e os sintomas podem se intensificar outra vez. O manejo normalmente é composto por diferentes partes.
Medicamentos
Dependendo do cachorro e da situação, podem ser utilizados:
- Injeção com bedinvetmab
- analgésicos
- medicamentos anti-inflamatórios
- fitoterápicos (terapia com medicamentos a base de plantas)
- micoterápicos (terapia com medicamentos a base de cogumelos)
- Remedio especiais para o controle da dor como Traumeel
- Além disso, há algumas clínicas que oferecem tratamento com sanguessugas, chamado de hirudoterapia.
A escolha dos medicamentos ou produtos adequados deve ser feita sempre junto com a veterinária responsável pelo pet.
Alimentação e controle do peso
Uma alimentação equilibrada e adaptada é uma parte muito importante do manejo. Isso se torna ainda mais importante quando o cachorro está acima do peso. Se existe excesso de peso, a redução do peso corporal ajuda a diminuir a carga sobre as articulações afetadas.
Fortalecer a musculatura
Esse é um dos pontos que considero especialmente importante no manejo da artrose. Uma musculatura bem desenvolvida ajuda a sustentar e estabilizar as articulações de forma muito mais eficaz. Isso não significa que os músculos vão fazer com que a articulação deixe de sustentar peso, mas já é uma grande ajuda. A ideia é que uma musculatura forte consiga absorver melhor parte da carga e contribuir para a estabilidade. Por isso, tentar evitar a perda muscular e fortalecer a musculatura é um dos pontos mais importantes da terapia.
Movimento: nem demais, nem de menos
Esse equilíbrio é fundamental. Movimento demais é um problema para um pet com artrose, mas movimento de menos também. Por isso, não existe uma quantidade universal que funcione para todos os cães com artrose. Isso varia de caso para caso. A atividade precisa ser controlada e ajustada ao cachorro, de preferência com assistência profissional.
Algumas dicas que posso te dar são: procure observar seu amigo de quatro patas durante e depois do passeio. Ele começou a não querer caminhar? Começou a mancar? A ficar para trás? Não quer usar uma das patas? Está muito ofegante? Está inquieto depois do passeio? Quieto demais?
Você conhece o seu pet melhor do que todo mundo e pode perceber mudanças no comportamento. Se esses sinais estão aparecendo, talvez seja necessário fazer um passeio mais curto com ele e observar novamente se houve melhora ou não.
Outro erro é não sair mais com o cão para passear e não deixar que ele faça mais nada que envolva esforço físico. Isso é muito ruim para as articulações. Sem artrose já é ruim, com artrose é pior ainda.
Fisioterapia
A fisioterapia pode ser utilizada para:
- reduzir dores
- preservar ou melhorar a mobilidade das articulacoes e do cachorro em geral
- fortificar a massa muscular
- ajudar o cachorro a manter padrões de movimento normais pelo maior tempo possível
- dicas para a tutora de como auxiliar melhor o cachorro no dia a dia.
- Acompanhamento da melhora ou piora durante o tratamento e orientação sobre possíveis ajustes para encontrar a terapia que mais ajuda o cachorro.
Isso não significa necessariamente que o cachorro terá que fazer fisioterapia regularmente para sempre. Aqui no meu consultório, na maioria das vezes, chega um momento em que a tutora ou o tutor já aprendeu diversos exercícios e medidas e consegue continuar boa parte do trabalho em casa. A partir daí, o cachorro pode vir ao consultório apenas para controles periódicos, por exemplo, a cada quatro ou oito semanas.
Frio e calor
Aplicações de frio ou calor também podem fazer parte do manejo e, em alguns casos, ser realizadas em casa. Mas isso deve ser conversado antes com a veterinária, o veterinário ou o profissional de fisioterapia canina.
O frio é utilizado principalmente quando existe um processo inflamatório agudo.
Podem ser usados, por exemplo:
- bolsas de frio
- bolsas de gelo
- outras formas adequadas de aplicação de frio
Já o calor é utilizado principalmente em problemas crônicos sem inflamação aguda.
Algumas possibilidades são:
- lâmpada de luz vermelha
- almofadas com caroços de cereja
- bolsa de água quente
- outras formas de calor seco
Outras possibilidades de tratamento
Dependendo da situação, outras terapias também podem fazer parte do manejo:
- acupuntura
- implantes de ouro
- terapia com campo magnético
- TENS
- osteopatia
- quiropraxia
Algumas dessas técnicas são utilizadas principalmente com o objetivo de reduzir a dor e melhorar a mobilidade.
Cirurgia
Nos casos mais graves, procedimentos cirúrgicos também podem ser considerados para reduzir a dor relacionada à artrose ou melhorar a função da articulação.
Entre as possibilidades estão:
- prótese total do quadril
- ressecção da cabeça e colo do fêmur
- determinadas artrodeses, nas quais uma articulação é cirurgicamente imobilizada
Em poucos pacientes pode até mesmo ser considerado o uso de próteses no cotovelo ou no joelho.
Artrose e dias frios e úmidos
Muitos cães com artrose, assim como nós humanos, sentem mais desconforto em dias frios e úmidos. Na minha prática, é justamente durante o inverno que vejo muitos pacientes com artrose e, infelizmente, também cães chegando com crises bastante dolorosas.
Se você mora em uma região fria, com temperaturas baixas, principalmente abaixo de aproximadamente 7 °C, pode ser interessante proteger melhor as articulações afetadas contra o frio e a umidade, por exemplo, com uma roupa para o pet.
Hoje em dia também existem meias e até um tipo de “calça especial” desenvolvida para ajudar a proteger determinadas articulações.
Claro que vale lembrar que nem todo pet vai aceitar usar esse tipo de acessório. Se você perceber que seu amigo de quatro patas está muito desconfortável, não o obrigue a usar nada.
Suplementos para artrose
Hoje existe uma quantidade enorme de suplementos alimentares vendidos para cães com artrose.
O problema é que nem todos foram suficientemente estudados e, em alguns produtos, a quantidade do ingrediente presente pode ser muito pequena.
Entre as substâncias frequentemente encontradas estão:
- colágeno
- extrato de mexilhão de lábios verdes
- glucosamina
- condroitina
- MSM
- ácidos graxos ômega-3
Na minha experiência pessoal com pacientes, já observei bons resultados em alguns cães com uma suplementação de colágeno realizada uma vez ao ano ou com o uso contínuo de extrato de mexilhão de lábios verdes.
Mas aqui faço questão de deixar uma coisa clara.
Minha quantidade de pacientes é pequena demais para transformar essa experiência em uma afirmação geral válida para todos os cães com artrose.
Por isso, eu não diria que existe um suplemento que seja automaticamente “o melhor” para todo cachorro.
O que pode contribuir positivamente para a saúde do cachorro?
Existem alguns pilares que podem ter um efeito positivo sobre a saúde e o bem-estar:
- atividade física regular
- alimentação equilibrada
- sono suficiente e de boa qualidade
- contato social e uma rotina com o mínimo possível de estresse
Isso não significa, entretanto, que essas medidas consigam sozinhas impedir ou curar uma artrose.
Como deve ser o exercício de um cachorro com artrose?
Quando penso em movimento para um paciente com artrose, considero principalmente quatro áreas:
- mobilidade
- força
- resistência
- coordenação e consciência corporal
As quatro são importantes.
Mobilidade
As articulações precisam continuar sendo movimentadas regularmente e de forma controlada.
O movimento ajuda a preservar a amplitude articular e pode evitar que o cachorro utilize cada vez menos aquela articulação por causa da rigidez.
Podem ser utilizados:
- movimento tranquilo durante a rotina
- caminhadas controladas
- exercícios de mobilização escolhidos individualmente
Força
Uma musculatura forte ajuda a sustentar e estabilizar as articulações.
Por isso, evitar a perda muscular é muito importante.
Dependendo do cachorro, podem ser utilizados exercícios como:
- levantar de forma controlada
- transferências de peso
- passar lentamente sobre obstáculos baixos
- outros exercícios específicos de fortalecimento
Mas um cachorro com artrose não deve ser treinado até a exaustão muscular.
Os exercícios precisam respeitar a idade, a doença e a capacidade atual daquele cachorro.
Resistência
A capacidade geral de esforço também deve ser mantida na medida do possível. Para isso, caminhadas regulares e controladas são muito úteis. Para muitos cães, várias sessões mais curtas distribuídas durante o dia funcionam melhor do que uma caminhada única muito longa.
Mas não existe um número de minutos que sirva para todos. Um cachorro jovem com artrose leve pode suportar uma carga completamente diferente de um cachorro idoso com uma artrose avançada.
Coordenação e consciência corporal
A artrose pode fazer com que o cachorro comece a evitar uma pata ou altere sua forma de caminhar.
Com o tempo, esses comportamentos podem criar movimentos compensatórios e padrões inadequados de distribuição do peso.
Exercícios de coordenação e propriocepção podem ajudar o cachorro a utilizar melhor as patas e realizar os movimentos de maneira mais controlada.
Algumas possibilidades são:
- circuitos realizados lentamente
- barras no chão
- diferentes superfícies
- outros exercícios de coordenação escolhidos individualmente
Como organizar uma sessão de treinamento?
Uma sessão pode ser dividida em três partes simples.
Aquecimento
Comece com alguns minutos de movimento tranquilo.
Uma caminhada lenta, por exemplo, pode preparar o corpo para os exercícios seguintes.
Parte principal
Depois entram os exercícios propriamente ditos.
Dependendo do objetivo, podem ser trabalhados:
- mobilidade
- força muscular
- coordenação
- consciência corporal
- resistência
Aqui quantidade não é o mais importante.
Não adianta realizar dez exercícios se o cachorro começa a executá-los mal.
É muito mais importante que os movimentos sejam feitos de maneira limpa, controlada e sem dores evidentes.
Volta à calma
No final, diminua novamente a intensidade.
Alguns minutos caminhando tranquilamente podem ajudar a finalizar a sessão de forma controlada.
Quanto tempo um cachorro com artrose deve treinar?
Não gosto de regras gerais como “todo cachorro com artrose deve treinar entre 30 e 45 minutos”. Isso simplesmente não funciona para todos.
Para um cachorro, poucos minutos de fortalecimento ou coordenação podem ser suficientes. Já uma caminhada pode durar muito mais.
O tempo e a intensidade dependem de fatores como:
- idade
- gravidade da artrose
- articulações afetadas
- quantidade de musculatura
- presença de dor
- condicionamento físico
- outras doenças
- resposta do cachorro ao treinamento
E existe um ponto que considero muito importante: não observe apenas como o cachorro está durante os exercícios.Observe também como ele está algumas horas depois e no dia seguinte.
Se ele estiver mais rígido, mancando mais, com maior dificuldade para levantar ou mostrando menos vontade de se movimentar, a intensidade pode ter sido excessiva.
O que você pode mudar em casa?
Pequenas adaptações na rotina podem facilitar bastante a vida de um cachorro com artrose.
Um local confortável para dormir
Ofereça um local macio e bem acolchoado.
Camas e almofadas ortopédicas podem ajudar bastante.
Mas existe um detalhe: o cachorro precisa querer utilizá-las.
Já tive pacientes na minha clínica que, por algum motivo, simplesmente não usavam a cama ortopédica que os tutores tinham comprado.
E no final das contas, a melhor cama não serve para muita coisa se o cachorro prefere dormir ao lado dela, diretamente no chão.
Adapte os potes de comida e água
Os potes podem ser oferecidos aproximadamente na altura dos cotovelos.
Para alguns cães, isso pode tornar o momento de comer e beber mais confortável.
Cuidado com pisos escorregadios
Pisos lisos podem dificultar bastante a movimentação.
Para melhorar a aderência, podem ser utilizados:
- tapetes
- mantas antiderrapantes
- adesivos para as almofadas das patas
- meias antiderrapantes
Também aqui vale experimentar.
Nem todo cachorro aceita todos esses recursos da mesma forma.
Use rampas e pequenos degraus
Rampas ou pequenos degraus podem facilitar situações como:
- entrar no carro
- sair do carro
- subir no sofá
- subir na cama
- vencer pequenas diferenças de altura dentro de casa
Siga as recomendações recebidas
As recomendações de alimentação e medicamentos dadas pela veterinária ou pelo veterinário devem ser seguidas.
O mesmo vale para os exercícios e medidas ensinados pela fisioterapia.A regularidade faz parte do manejo.
Qual é o prognóstico de um cachorro com artrose?
Com um tratamento adequado e um bom manejo, muitos cães com artrose conseguem ter uma boa qualidade de vida e uma expectativa de vida normal.
O ponto principal é perceber os problemas cedo e adaptar continuamente o manejo de acordo com o estado atual do cachorro. O que funcionava muito bem há seis meses não necessariamente será o melhor para sempre.
O cachorro muda e o manejo precisa acompanhar essas mudanças.
É possível prevenir a artrose?
Nem todos os casos podem ser evitados.
Alterações durante o crescimento, fatores genéticos e lesões nem sempre estão sob nosso controle. Por isso, mesmo um cachorro bem cuidado pode desenvolver artrose.
Alguns fatores, entretanto, podem ajudar a reduzir o risco ou retardar o aparecimento da doença:
- crescimento saudável
- alimentação equilibrada
- peso corporal adequado
- atividade física regular
- treinamento adequado
- tratamento precoce de lesões
- tratamento precoce de doenças articulares
Uma castração realizada mais tarde, depois que o cachorro atingir a maturidade física, também pode, dependendo da raça e da situação individual, influenciar determinadas alterações ortopédicas durante o desenvolvimento.

Resumo Final
Depois de acompanhar diferentes pacientes com artrose, uma coisa fica muito clara para mim: não existe uma única medida capaz de resolver todos os problemas.
O que mais vejo funcionar é a combinação de diferentes estratégias.
Entre elas:
- movimento controlado
- fisioterapia
- fortalecimento muscular direcionado
- alimentação equilibrada
- controle do peso
- adaptações na rotina
Cada cachorro precisa ser analisado individualmente.
A idade, a gravidade da doença, as articulações afetadas, a musculatura, a presença de dor e a capacidade de esforço precisam ser levadas em consideração.
Se você não sabe exatamente o que o seu cachorro pode fazer, quanto exercício é adequado ou quais exercícios seriam interessantes para ele, procure orientação profissional.
O objetivo não é simplesmente fazer o cachorro se movimentar mais. O objetivo é encontrar uma quantidade e uma forma de movimento que façam sentido para aquele cachorro e que possam ajudá-lo a preservar sua mobilidade e qualidade de vida pelo maior tempo possível. Até a próxima!
