Fala, galera! Aqui é o Claudio, fisioterapeuta veterinário, e no artigo de hoje vamos falar sobre dois exercícios que você pode fazer em casa com o seu pet, caso ele tenha artrose, para melhorar a mobilidade do seu amigo de quatro patas. Se o seu cachorro foi diagnosticado com artrose, uma doença muito comum em cães, você provavelmente já percebeu que a mobilidade dele deve ter diminuido. Por isso, aqui vão dois exercícios que podem ajudar a melhorar esse quadro.

Por que fazer esses exercícios é importante
A artrose é uma doença degenerativa das articulações. Ela não aparece do dia para a noite. É um processo lento, progressivo e, na maioria das vezes, silencioso. Normalmente, os sintomas só são percebidos quando a doença já está um pouco mais avançada. Quando ignoramos os primeiros sinais, o resultado é simples: menos movimento, mais rigidez, mais dor e, consequentemente, perda muscular. Mas existe uma boa notícia: você pode ajudar seu pet a manter a mobilidade e, em alguns casos mais específicos, até desacelerar esse processo com exercícios adequados.
O movimento controlado faz parte do tratamento, e hoje você vai conhecer dois exercícios muito bons para cães com artrose.
O que é artrose em cães
Artrose, também chamada de osteoartrite, é o desgaste da cartilagem que reveste as articulações, evitando assim o contato direto de um osso com um outro. A cartilagem funciona como um amortecedor. Quando ela se desgasta, os ossos passam a sofrer mais atrito porque estão encostando um no outro durante o movimento. Isso gera muitas vezes inflamação, dor e limitação de movimento. Com o tempo, o corpo tenta compensar. O cachorro muda a postura, sobrecarrega outras patas e perde massa muscular. É aí que entra a reabilitação, como parte fundamental do tratamento.
Como a artrose afeta a mobilidade
Biomecanicamente, quando uma articulação dói:
- O cão reduz a amplitude de movimento, forçando assim outras partes do corpo.
- A musculatura enfraquece por falta de movimento.
- A artrose avança ainda mais quando o cachorro perde cartilagem devido à falta de movimento.
Se nada for feito, o pet pode perder completamente o movimento da articulação afetada. Menos movimento não resolve, e movimento em excesso também não. O ideal é que o estímulo seja adequado, reorganizando o padrão motor e preservando a função da cartilagem.
Exercício 1: Elevação da pata
Esse exercício parece simples. Mas é extremamente poderoso.
O objetivo é estimular equilíbrio, coordenação e fortalecimento das outras três patas.
Como fazer
O cachorro deve estar em um solo antiderrapante para evitar escorregões e possíveis lesões. Posicione-se ao lado dele e levante uma das patas dianteiras de forma suave, fazendo com que ele precise se equilibrar nas outras três patas.Levante a pata de forma suave e mantenha a posição por cinco a oito segundos. Nos membros posteriores, você pode realizar uma leve flexão, como se estivesse secando a pata com uma toalha.
Frequência
Comece realizando o exercício dia sim, dia não, com duas repetições por pata. Esse exercício fortalece os músculos estabilizadores profundos e melhora a propriocepção, que é a capacidade de perceber a posição do corpo no espaço.

Exercício 2: Treino de Cavaletti
Neste exercício, trabalhamos coordenação e amplitude de movimento do pet. Para realizá-lo, você vai precisar de cinco obstáculos alinhados no chão. Podem ser cabos de vassoura, galhos ou qualquer objeto seguro que tenha em casa.
A distância entre os obstáculos deve ser de aproximadamente 10 a 20 cm, dependendo do tamanho do cão (Quanto menor o cachorro, menor deve ser o espaço entre os obstáculos.) Os obstáculos devem estar apoiados no chão. O objetivo é estimular o movimento controlado e consciente, sem gerar impacto.
Como fazer
Conduza o cachorro lentamente, utilizando uma guia curta para manter o controle do movimento. O ritmo deve ser calmo e consciente, priorizando qualidade em vez de velocidade. Se o animal estiver agitado, peça para que ele sente antes de iniciar o exercício. Isso ajuda a organizar o comportamento e favorece um movimento mais controlado. Ao final do percurso, peça para sentar novamente e ofereça elogios. Em seguida, retorne pelo mesmo trajeto. Lembre-se: o cérebro aprende por meio da repetição lenta e consistente.
Frequência
Realize o exercício duas vezes ao dia, em dias alternados. Comece com duas passagens pelo percurso e, conforme o cão for se adaptando, aumente gradualmente o volume ou a dificuldade.
Esse exercício contribui para melhorar a flexão e a extensão das articulações, fortalece a musculatura e ajuda a manter os ligamentos ativos. No entanto, não é indicado em casos de anquilose, quando a articulação já se encontra completamente rígida.
Dicas práticas
- Sempre observe a disposição do seu cão no dia. Assim como nós, humanos, ele pode estar mais ou menos disposto dependendo do momento.
- Prefira horários em que ele esteja mais confortável.
- Nunca force amplitude.
- Faça os exercícios na sombra e em horários de temperatura mais amena.
- Pare se houver dor ou desconforto evidente.
- Não faça os exercícios em piso liso, para evitar o risco de o pet escorregar e se machucar.
- Comece devagar e evolua progressivamente para evitar dores musculares no pet.
- Preste atenção em como o pet está após o exercício ou no dia seguinte. Se ele estiver muito cansado ou apresentar dor muscular, diminua a intensidade do exercício.
Erros comuns
- Achar que repouso absoluto resolve.
- Fazer exercício rápido demais.
- Exagerar na quantidade.
- Ignorar sinais de desconforto.
- Comparar com outros cães, cada pet tem seu ritmo.
Construindo confiança
A artrose não tem cura, mas, em muitos casos, pode ser bem controlada. Com manejo adequado, exercícios, fisioterapia e acompanhamento profissional, é possível manter a qualidade de vida do cão por muitos anos. O objetivo não é fazer com que ele “volte a ser filhote”. O foco é preservar a função articular, reduzir a dor e manter a autonomia pelo maior tempo possível.

Resumo final
A artrose é uma condição bastante comum no envelhecimento canino, e o movimento adequado faz parte essencial do tratamento. Exercícios simples, quando bem orientados, podem trazer benefícios importantes para a mobilidade e o conforto do seu cão.
A elevação da pata contribui para o fortalecimento muscular e melhora o equilíbrio. Já o exercício de Cavaletti estimula a coordenação e amplia a mobilidade articular.
Com regularidade, progressão adequada e respeito à individualidade do seu cão, os resultados tendem a aparecer. O segredo está na consistência, movimento é qualidade de vida.
Se este conteúdo ajudou você, compartilhe com outros tutores que também querem ver seus cães envelhecendo com mais conforto e mobilidade. Continue acompanhando o blog para receber mais orientações práticas e baseadas em experiência clínica. Até a próxima!
