Como está a qualidade de vida do seu cachorro?

Fala, galera! Aqui é o Claudio, fisioterapeuta veterinário, e no artigo de hoje vamos falar sobre como avaliar a qualidade de vida dos nossos pets.

Talvez você já tenha se feito essa pergunta:
“Ele está bem? Ou está sofrendo? Está com alguma dor?” Quando um cãozinho envelhece muito ou enfrenta uma doença grave, essa dúvida começa a aparecer com mais frequência. E quase sempre ela vem acompanhada de medo e insegurança.

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Por que esse tema é tão importante?

Muitos tutores tentam confiar apenas no próprio sentimento. O famoso “eu sinto que ainda não é a hora” ou “acho que ele está sofrendo demais”.

O instinto é importante. Mas, em momentos emocionalmente delicados, ele pode ficar confuso. O amor pode nos fazer prolongar algo por medo da despedida. Ou, ao contrário, o medo pode nos fazer antecipar decisões.

Por isso, ter critérios objetivos ajuda muito na hora de tomar uma decisão importante. Existe uma ferramenta criada pela médica-veterinária Dra. Alice Villalobos, especialista em cuidados paliativos, que propôs uma forma mais clara de avaliar a qualidade de vida: a chamada escala HHHHHMM. Ela não substitui uma avaliação profissional, mas ajuda os tutores a organizarem o pensamento e a olhar para o cachorro com mais clareza em momentos delicados, quando não sabemos o que fazer.

O que é a escala HHHHHMM?

O nome pode parecer estranho, mas ele representa sete áreas fundamentais da vida dos nossos amigos de quatro patas:

Hurt – Dor
Hunger – Alimentação
Hydration – Hidratação
Hygiene – Higiene
Happiness – Felicidade
Mobility – Mobilidade
More good days than bad – Mais dias bons do que ruins

Cada um desses pontos pode ser avaliado de 0 a 10. Depois, soma-se tudo para ter uma visão mais ampla da situação. É uma forma de organizar a percepção e de ver como está a qualidade de vida do pet.

Os 7 pilares da qualidade de vida

1. Dor

O cachorro sente dor? Essa dor está controlada? Nem toda dor é evidente. Muitas vezes não há choro. Mas pode haver respiração ofegante constante, resistência ao toque, tensão muscular ou até mesmo isolamento. Se a dor pode ser controlada e ele ainda se mantém confortável, isso conta positivamente. Se a dor é intensa e difícil de aliviar, é um sinal de alerta importante.

2. Alimentação

Ele ainda come com vontade? Ou precisa ser estimulado o tempo todo para comer um pouquinho? Perda persistente de apetite pode indicar sofrimento, náusea, dor ou desinteresse geral pela vida. Comer é um dos grandes prazeres do cachorro. Quando isso desaparece completamente, é algo que merece muita atenção.

3. Hidratação

Ele bebe água normalmente? Está hidratado? Desidratação pode causar fraqueza, piorar quadros clínicos e gerar desconforto. Às vezes é possível manter a hidratação com apoio, mas quando isso se torna inviável, a situação precisa ser reavaliada.

4. Higiene

Ele consegue se manter limpo? Ou passa grande parte do tempo sujo, com urina ou fezes no corpo? Mesmo quando há incontinência, ainda é possível manter dignidade com apoio do tutor. O problema é quando o corpo já não responde e a higiene se torna quase impossível de manter.

5. Felicidade

Ele ainda demonstra interesse? Reage à sua voz? Gosta de carinho? A felicidade aqui não significa correr ou brincar como antes. Significa ainda demonstrar conexão, presença, pequenos sinais de prazer. Quando o cachorro se torna completamente apático, indiferente ao ambiente e às pessoas, isso é um sinal importante.

6. Mobilidade

Ele consegue se movimentar com algum nível de conforto? Mobilidade reduzida não significa automaticamente baixa qualidade de vida. Muitos cães usam rampas, recebem apoio, contam com adaptações e continuam bem. Outros têm uma vida ótima em uma cadeira de rodas para cães, quando perderam o movimento das pernas traseiras, e há também aqueles que vivem muito bem com três pernas. Mas quando levantar, deitar ou se mover gera sofrimento constante, é algo que precisa ser considerado com honestidade.

7. Mais dias bons do que ruins

Esse é, muitas vezes, o ponto mais revelador. Nos últimos dias ou semanas, existem mais momentos de conforto e tranquilidade do que de sofrimento? Se os dias difíceis começam a superar claramente os dias bons, talvez seja hora de conversar com o veterinário sobre os próximos passos.

Great Dane enjoying a sunny day outdoors, showcasing joy and playfulness.

Como usar essa escala na prática

A soma total pode chegar a 70 pontos. Em geral, valores acima de 35 indicam que ainda existe qualidade de vida aceitável. Abaixo disso, é importante refletir com cuidado e buscar orientação. Mas lembre-se: não é apenas o número. É o contexto. A escala ajuda você a sair da confusão emocional e enxergar a situação com mais equilíbrio.

Dicas práticas para avaliar com mais clareza

• Anote diariamente como foi o dia do seu cachorro durante pelo menos uma semana
• Observe padrões, não apenas um dia isolado
• Filme pequenos momentos para perceber mudanças sutis
• Converse abertamente com o veterinário e leve suas anotações
• Pergunte a si mesmo se o sofrimento é controlável ou progressivo
• Envolva a família na decisão para não carregar esse peso sozinho

Erros comuns nesse momento delicado

Um erro muito comum é adiar decisões apenas por medo da dor emocional da despedida. Outro erro é antecipar decisões por exaustão ou culpa, sem avaliar corretamente a situação. Também é comum achar que amor significa prolongar a vida a qualquer custo. Mas, muitas vezes, amor significa permitir descanso quando o sofrimento supera o conforto.Não existe decisão fácil. Existe decisão consciente.

Uma palavra sobre culpa e amor

Se você está se preocupando com a qualidade de vida que seu pet tem, é porque você o ama. A escala não serve para tirar a responsabilidade do seu coração. Ela serve para apoiar seu coração com mais clareza em um momento delicado. Decidir com base no amor é diferente de decidir com base no medo. O amor busca conforto. O medo busca evitar a própria dor. Ter coragem de olhar para a realidade com honestidade é uma forma profunda de cuidado com quem precisa de você.

A close-up portrait of a joyful miniature pinscher dog outdoors.

Resumo final

Avaliar a qualidade de vida de um cachorro idoso ou gravemente doente não é simples. Mas também não precisa ser feito apenas com base na emoção. Essa escala ajuda a observar sete áreas fundamentais: dor, alimentação, hidratação, higiene, felicidade, mobilidade e a proporção entre dias bons e ruins. Ela não substitui avaliação veterinária, mas oferece um guia para pensar com mais clareza. Seu instinto importa. Mas quando ele está misturado com medo e tristeza, critérios objetivos ajudam a trazer equilíbrio. Se esse artigo te ajudou, compartilhe com outras pessoas que possam precisar e deixe um comentário se você tem alguma dúvida. Até a proxima!

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