Fala, galera! Aqui é o Claudio, fisioterapeuta veterinário, e no artigo de hoje vamos falar sobre a diferença entre dor aguda e dor crônica em cães e quais são as principais diferenças entre elas.

Você já viu seu pet mancar de repente depois de uma brincadeira? Ou percebeu que, aos poucos, ele foi ficando mais quieto, levantando com dificuldade e evitando movimentos que antes eram normais, como pular para subir no carro ou no sofá? Ou até mesmo apresentar dificuldade para se levantar?
Nem toda dor é igual. Algumas aparecem de uma hora para a outra, após um simples movimento ou algum acidente no dia a dia. Outras se instalam devagar e passam quase despercebidas. Entender essa diferença é essencial para agir no momento certo e ajudar seu amigo de quatro patas a viver livre de dores.
Por que esse tema é tão importante?
A dor é um mecanismo de proteção do corpo. Ela existe para avisar que algo não está certo e para impedir que uma lesão leve se torne mais grave. O problema é que muitos tutores só percebem quando a dor já está mais intensa, já que os cães escondem muito bem suas dores leves na maioria das vezes.
Quando a dor aguda não é tratada corretamente, pode gerar compensações no corpo que, com o passar do tempo, normalmente se tornam dores crônicas. Quando a dor crônica é ignorada, ela pode comprometer a mobilidade, o comportamento, o humor e a qualidade de vida, já que ninguém gosta de viver com esse incômodo tão grande, que é sentir dor ao realizar movimentos essenciais do dia a dia, como simplesmente caminhar. Saber reconhecer os sinais precoces da dor evita sofrimento desnecessário no futuro e ajuda a tratar o problema antes que ele se torne maior.
Dor aguda: o alarme do corpo
A dor aguda aparece de forma rápida e geralmente está ligada a uma causa específica. Uma queda, uma torção, um corte na pata, uma inflamação recente ou algo do tipo. Imagine que seu cachorro esteja correndo atrás da bola, pise em um buraco e sofra uma torção leve. Ele imediatamente começa a evitar usar aquela pata. Isso é a dor aguda funcionando como um sistema de alerta, para que a patinha tenha tempo de se recuperar dessa lesão. Ela diz claramente: “Pare. Algo está errado.”
Normalmente, esse tipo de dor dura horas ou alguns dias, dependendo da gravidade da lesão. Quando a causa é resolvida, o desconforto tende a desaparecer. Ela costuma ser mais evidente e pode incluir manqueira repentina, choramingo, lambedura intensa de uma região, respiração ofegante, pupilas dilatadas, inquietação ou até mesmo mudança brusca de comportamento.
Dor crônica: quando a dor vira parte da rotina
Já a dor crônica é diferente. Ela não surge de repente. Ela se instala aos poucos na região afetada. Geralmente está associada a problemas ortopédicos, articulares, alterações na coluna ou questões neurológicas. Pode durar meses ou até anos.
O que torna a dor crônica tão delicada é que o sistema nervoso pode “aprender” essa dor. O corpo fica mais sensível, criando o que chamamos de memória da dor. Mesmo quando a causa inicial melhora, o cérebro continua interpretando sinais que são normais como dolorosos.
O cachorro começa a se movimentar menos para evitar desconforto. Ao se movimentar menos, perde musculatura. Com menos músculo, sobrecarrega ainda mais as articulações, tornando-se um ciclo vicioso de dor e sobrecarga difícil de quebrar.
Mudanças graduais são o principal alerta. Demorar mais para levantar, evitar subir e descer escadas, parar de pular, caminhar mais devagar ou evitar caminhar, cansar com muita facilidade, mudar o comportamento durante brincadeiras ou ficar mais irritado podem ser indícios importantes.
Alterações no sono, troca frequente de posição ao deitar, lambedura repetitiva de uma área específica e mudança no apetite também podem fazer parte do quadro.
Como a dor impacta o organismo
A dor persistente não afeta apenas músculos ou articulações. Ela influencia o organismo inteiro. O estresse aumenta. O sono piora. O apetite pode mudar. O sistema imunológico pode ficar mais sensível. O cachorro pode perder massa muscular ou ganhar peso devido à redução da atividade física. Com o tempo, a qualidade de vida diminui consideravelmente, além de o pet passar a viver com dor.
Por isso, tratar apenas o sintoma não é suficiente. Analgésicos aliviam o desconforto, mas é essencial entender a causa. Se o problema for muscular, muitas vezes é necessário fortalecer a musculatura. Se for articular, a articulação precisa ser tratada com técnicas especiais de fisioterapia e osteopatia ou com equipamentos como o low level laser, por exemplo. Se houver algum componente neurológico, o acompanhamento adequado faz toda a diferença.O controle da dor deve sempre caminhar junto com o cuidado da origem do problema.

Dicas práticas para tutores
• Observe mudanças graduais no comportamento e compare com como seu cachorro era alguns meses atrás
• Filme a caminhada do seu cão saudável e também quando você achar que ele está com dor, para perceber alterações sutis na movimentação ou mostrar a um profissional.
• Evite exercícios intensos se houver suspeita de dor
• Mantenha o peso sempre adequado para reduzir sobrecarga nas articulações
• Incentive movimentos leves e regulares para preservar musculatura
• Procure avaliação profissional se os sinais persistirem por mais de alguns dias
• Nunca medique seu cachorro por conta própria
Erros comuns sobre dor em cães
Um erro muito comum é acreditar que, se o cachorro não está chorando ou mancando, ele não sente dor. Cães são mestres em disfarçar desconforto.
Outro equívoco é pensar que ficar mais quieto faz parte apenas do envelhecimento. Embora a idade traga mudanças naturais, dor não deve ser considerada normal.
Também é um erro tratar apenas com remédio e não investigar a causa. O alívio é importante, mas entender a origem é o que realmente muda o cenário.
Ignorar sinais porque eles são sutis é outro problema frequente. A dor crônica raramente começa de forma dramática por conta de um acidente por exemplo. Nem toda dor é grave, mas toda dor merece atenção. A dor aguda protege. A dor crônica incomoda e diminui a qualidade de vida. Quanto antes você identifica mudanças, maiores são as chances de preservar mobilidade, autonomia e bem-estar. O objetivo não é viver em alerta constante, mas sim desenvolver um olhar mais atento e consciente.
Seu amigo de quatro patas depende da sua capacidade de perceber o que ele não consegue dizer.
Resumo final
A dor aguda surge rapidamente e geralmente tem uma causa clara, como uma lesão geralmente causada por um acidente. Já a dor crônica é persistente, silenciosa e costuma estar ligada a problemas articulares, musculares ou neurológicos. Reconhecer os sinais cedo evita que a dor se transforme em um ciclo de compensações e perda de qualidade de vida. Cuidar da dor é cuidar da qualidade de vida do seu pet.

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