Fala, galera! Aqui é o Claudio, fisioterapeuta veterinário, e no artigo de hoje vamos falar sobre um assunto que muita gente acaba ignorando durante o verão: a umidade do ar. Quando pensamos em dias perigosos para os nossos cães, normalmente olhamos apenas para a temperatura. Se o termômetro marca 35 °C, todo mundo sabe que é preciso tomar cuidado. Mas existe um fator que pode tornar um dia de 28 °C muito mais perigoso do que um dia de 35 °C: a umidade. Na prática, já vi diversos tutores dizendo que “nem estava tão quente” quando o cachorro começou a passar mal durante um passeio. Em muitos desses casos, o verdadeiro problema para os nossos amigos de quatro patas não era apenas o calor, mas a combinação entre altas temperaturas e alta umidade. Entender como a umidade interfere na capacidade do cachorro de controlar a própria temperatura pode evitar situações extremamente graves, como a hipertermia e a insolação.

Como os cachorros conseguem diminuir a temperatura do corpo?
Ao contrário das pessoas, os cães não suam pelo corpo inteiro. Nós eliminamos calor principalmente através da evaporação do suor da pele. Já os cachorros possuem glândulas sudoríparas apenas nas almofadinhas das patas, e essa quantidade de suor é muito pequena para controlar a temperatura corporal. O principal mecanismo de resfriamento dos cães é a respiração ofegante. Quando o cachorro começa a respirar rapidamente, o ar passa pelas superfícies úmidas da boca, da língua e das vias respiratórias. Durante esse processo ocorre a evaporação da água presente nesses tecidos, levando parte do calor embora. É justamente esse mecanismo que permite ao organismo diminuir a temperatura corporal. O problema aparece quando o ar já está muito úmido.
Por que a umidade dificulta o resfriamento do cachorro?
A evaporação só acontece de maneira eficiente quando o ambiente consegue receber essa umidade. Em dias secos, a água evapora facilmente e o organismo consegue perder calor com relativa facilidade. Já quando a umidade do ar está muito alta, o ambiente já está praticamente “saturado” de vapor d’água. Como consequência, a evaporação acontece de forma muito mais lenta. Na prática, isso significa que o cachorro continua ofegando cada vez mais, mas perde muito menos calor. É como se o sistema de ar-condicionado natural do organismo deixasse de funcionar corretamente. Por isso, dias muito úmidos aumentam bastante o risco de superaquecimento, mesmo quando a temperatura não parece tão elevada.
Calor e umidade são a combinação mais perigosa
Muita gente acredita que basta olhar a temperatura antes de sair para passear. Na realidade, o que determina o risco é a combinação entre calor e umidade. Quanto maiores forem esses dois fatores ao mesmo tempo, maior será a dificuldade do cachorro em eliminar calor. Além disso, alguns ambientes pioram ainda mais essa situação. Um quintal sem circulação de vento, uma varanda fechada ou até um carro estacionado podem transformar rapidamente um ambiente apenas quente em um ambiente extremamente perigoso. Sem ventilação adequada, o calor fica acumulado e a umidade impede que o cachorro consiga resfriar o próprio corpo.
Alguns cães sofrem muito mais com a umidade
Embora qualquer pet possa desenvolver estresse térmico, alguns apresentam um risco muito maior. Isso acontece porque possuem características que dificultam ainda mais o controle da temperatura corporal.
Entre os cães mais sensíveis estão:
- cães braquicefálicos, como Bulldog Francês, Pug, Bulldog Inglês, Shih Tzu e Boston Terrier;
- cães idosos;
- filhotes;
- cães obesos;
- cães com doenças cardíacas;
- cães com doenças respiratórias;
- cães com doença renal;
- cães com síndrome de Cushing.
Nos cães braquicefálicos, por exemplo, a anatomia das vias respiratórias já dificulta naturalmente a passagem de ar. Quando a umidade reduz ainda mais a eficiência da respiração, o risco de superaquecimento aumenta significativamente. Da mesma forma, cães obesos produzem mais calor durante o exercício e têm maior dificuldade para dissipá-lo.
Como saber se o cachorro está começando a superaquecer?
Os primeiros sinais costumam aparecer antes mesmo da insolação. Quanto mais cedo a tutora perceber esses sintomas, maiores são as chances de evitar uma emergência.
Os sinais iniciais incluem:
- respiração muito acelerada o tempo todo;
- ofegação intensa o tempo todo;
- língua cada vez mais para fora;
- salivação excessiva;
- procura constante por sombra;
- vontade de deitar no chão frio;
- busca frequente por água.
Nessa fase, normalmente ainda é possível controlar a situação levando imediatamente o cachorro para um ambiente fresco, oferecendo água e interrompendo qualquer atividade física. O problema é quando o tutor continua insistindo no passeio ou no exercício.

Quando a situação vira uma emergência?
Se a temperatura corporal continuar aumentando, o organismo começa a entrar em colapso.
Nessa fase podem surgir sinais muito graves, como:
- gengivas extremamente vermelhas;
- língua muito avermelhada;
- vômitos;
- desorientação;
- dificuldade para caminhar;
- fraqueza intensa;
- desmaios;
- convulsões.
Esses sintomas indicam uma possível insolação, uma emergência veterinária que pode colocar a vida do cachorro em risco em poucas horas. Nesses casos, o animal deve ser levado imediatamente a uma clínica veterinária.
Como proteger o cachorro em dias muito úmidos?
A prevenção continua sendo a melhor estratégia. Durante o verão, vale muito mais a pena adaptar a rotina do que correr riscos desnecessários.
Dentro de casa, algumas medidas simples fazem bastante diferença:
- manter os ambientes bem ventilados;
- utilizar ventiladores ou ar-condicionado quando necessário;
- oferecer acesso constante à água fresca;
- deixar o cachorro descansar sobre pisos frios;
- utilizar tapetes refrigerantes quando indicado.
Já durante os passeios, alguns cuidados são fundamentais. Evite sair nos horários mais quentes do dia. Sempre procure locais com bastante sombra, leve água durante o passeio e faça pausas frequentes para permitir que o cachorro descanse. Em dias extremamente úmidos, muitas vezes a melhor decisão é simplesmente reduzir a duração da caminhada e complementar o gasto de energia com brincadeiras e enriquecimento ambiental dentro de casa.
A atividade física também aumenta o risco
Outro fator que muitas pessoas esquecem é que o exercício produz calor. Quanto mais intenso o esforço físico, maior será a produção de calor pelos músculos. Se esse calor não consegue ser eliminado por causa da alta umidade, a temperatura corporal sobe rapidamente. Por isso, atividades como corrida, trilhas, bicicleta, agility e brincadeiras intensas devem ser evitadas durante os horários mais quentes e úmidos do dia. Isso é ainda mais importante para cães idosos ou que apresentam doenças ortopédicas, já que o esforço físico excessivo pode aumentar tanto o risco de superaquecimento quanto a sobrecarga nas articulações.
O pelo influencia?
Sim, mas não da forma que muita gente imagina. É comum pensar que raspar completamente um cachorro durante o verão fará com que ele sinta menos calor. Na realidade, em diversas raças de pelagem dupla, como Husky Siberiano, Golden Retriever, Pastor Alemão e Border Collie, o pelo também funciona como uma camada de isolamento térmico. Ele ajuda tanto a proteger contra o frio quanto contra o calor. Por isso, tosar completamente esses cães nem sempre melhora a tolerância às altas temperaturas e, em alguns casos, pode até aumentar o risco de queimaduras solares.

Resumo
A umidade é um fator tão importante quanto a temperatura quando falamos sobre o risco de superaquecimento em cães. Mesmo em dias que não parecem extremamente quentes, a alta umidade reduz a eficiência da principal forma que o cachorro possui para eliminar calor: a respiração ofegante. Como consequência, a temperatura corporal pode subir rapidamente, principalmente em cães braquicefálicos, idosos, obesos ou com doenças cardíacas e respiratórias. Durante o verão, adaptar a rotina, evitar exercícios nos horários mais quentes, oferecer bastante água, sombra e ambientes bem ventilados são medidas simples que fazem uma enorme diferença na saúde e na segurança do seu pet. Se você perceber que seu cão está ofegando de forma exagerada, muito abatido ou apresentando sinais de insolação, procure atendimento veterinário imediatamente. Quanto mais rápido o tratamento for iniciado, maiores serão as chances de uma recuperação completa. Até a próxima!
